CNM/CUT realiza 1º módulo de programa de formação do Coletivo de Relações Internacionais

Foi realizado nas últimas quinta e sexta-feira (21 e 22) o primeiro módulo do programa de formação ‘Ação Internacional e o Fortalecimento das Redes Sindicais’, voltado para os coordenadores de redes sindicais de trabalhadores em empresas metalúrgicas.

A atividade, realizada em São Paulo, foi promovida pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), em parceria com a Fundação Friedrich Ebert (FES). O grupo que participou integra o Coletivo de Relações Internacionais da CNM/CUT.

Ao longo dos dois dias, os mais de 20 participantes debateram a conjuntura econômica e política do Brasil e a necessidade de articular ações unitárias nas empresas transnacionais, em conjunto com os trabalhadores das plantas em outros países.

Para subsidiar as discussões, houve painéis com especialistas, como os economistas Ladislaw Dowbor (PU/SP) e Guilherme Santos Mello (Unicamp), o ex-deputado federal José Genoíno, e o assessor da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), Gabriel Casnatti.

O assessor jurídico da CNM/CUT, Ronaldo Machado, e a técnica da Subseção do Dieese na entidade, Cristiane Ganaka, fizeram uma exposição sobre a reforma trabalhista, que entra em vigor no dia 11 de novembro, contribuindo com o debate sobre as alternativas dos trabalhadores para assegurar que nenhum direito seja subtraído.

O secretário de Relações Internacionais da Confederação, Maicon Vasconcelos, explicou que o programa de formação tem o objetivo de subsidiar os coordenadores das redes sindicais para que os trabalhadores tenham condições de implantar uma ação mais qualificada no chão da fábrica. “Além das questões da conjuntura brasileira, este curso faz um link com a questão internacional, porque o grande capital trabalha de forma estruturada e articulada no mundo todo. Assim, a nossa resistência enquanto trabalhador tem que partir do mesmo pressuposto”, assinalou.

Maicon argumentou ainda que nenhuma transformação será feita individualmente. “É necessário investir na internacionalidade da classe trabalhadora e na nossa organização em nível mundial. Para isso, precisamos desenvolver ações articuladas e estratégicas para impedir que esta agenda global de retirada de direitos e precarização do trabalho se efetive. E é este o foco do Coletivo de RI e da estratégia da CNM/CUT para as redes sindicais”, completou o secretário.

Sistema produtivo
Em sua exposição, Ladislau Dowbor destacou que o mundo vive hoje a “era do capital improdutivo”, no qual as empresas que controlam a maior parte do sistema produtivo mundial são controladas pelo sistema financeiro, que dita as regras no mercado internacional e influencia decisões dos governos. “A financeirização está dilacerando as economias no Brasil e no mundo afora, ao forçar governos a cumprir agendas derrotadas nas urnas, como no nosso caso”, afirmou. O economista lançou, nesta atividade, livro que trata do tema intitulado A Era do Capital Improdutivo. 

Já Gabriel Casnatti avaliou que o Brasil está longe de promover uma justiça fiscal e tributária, porque as empresas que controlam as cadeias globais de produção cooptam os Estados, por meio da evasão fiscal e da sonegação, impedindo o crescimento econômico voltado para a desenvolvimento social.

O economista Guilherme Mello, por sua vez, ressaltou que as eleições legislativas serão fundamentais em 2018 para assegurar que todos os setores sociais estejam representados no Congresso Nacional e para que a agenda do papel do Estado como indutor do desenvolvimento social seja retomada. “O trabalhador sabe que precisa do Estado. É preciso fortalecê-lo e melhorá-lo e não entregar o país para o mercado. É preciso dialogar com setores do empresariado – que não está contente com o que está acontecendo –, aumentar o investimento, a transferência de renda, os gastos com educação e saúde. Com isso, o consumo aumentará e o empresariado virá a reboque, aumentando a produção”, disse.

Três módulos
O programa de formação voltado ao Coletivo de Relações Internacionais terá mais dois módulos. “A parceria com a FES vai continuar e a CNM/CUT dará continuidade à política de apoio às redes sindicais e à qualificação de sindicalistas para envolver cada vez mais os trabalhadores do chão da fábrica na luta em defesa de seus direitos”, concluiu Maicon.

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