Acidentes acontecem, mas podem ser evitados

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos promoveu na manhã de sexta-feira, dia 16 de setembro, o 9º Seminário sobre Saúde e Segurança no Trabalho, direcionado aos homens e mulheres que trabalham na indústria metalúrgica de Jaraguá do Sul e Região. O evento, que marca ainda os 50 anos de fundação do Sindmet, aconteceu no auditório do Centro de Profissionais Liberais de Jaraguá do Sul e contou com a participação de aproximadamente 100 pessoas. As palestras foram proferidas pela médica Carolina Bagattoli, especialista em saúde e qualidade de vida, pela presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio e secretária de Saúde da CUT/SC, Ana Maria Roeder e pela diretora de formação do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, Hanen Sarkis Kanaam. O Grupo de Teatro Gats apresentou uma pequena e agradável montagem teatral abordando a necessidade e as conseqüências para quem não usa os EPIS (Equipamentos de Proteção Individual). Hábitos saudáveis reduzem a incidência de doenças A médica Carolina Bagattoli falou sobre qualidade de vida e o que podemos fazer para conquistar essa situação, rara entre os trabalhadores e trabalhadoras. Segundo ela, adquirir hábitos saudáveis é fundamental. Dormir de 7 a 8 horas por dia, praticar algum esporte ou exercício físico quatro horas por semana, alimentar-se com moderação e nutrição e tomar bastante água são as estratégias para mantermos uma vida saudável. A médica explicou que se deve dormir no escuro, porque é somente no escuro que a mente libera uma substância capaz de regenerar o nosso corpo. Dormir bem previne a ansiedade, a depressão, a diminuição do raciocínio, dores de cabeça, tontura e hipertensão. Ao escolher a água que vamos beber é importante optar por aquelas marcas próximas. “A água embalada em garrafa plástica sofre as conseqüências do plástico e deixa de ser boa”, enfatiza a médica, que deu outras orientações preciosas, como não aquecer comida em potes de plástico. “O plástico, quando aquecido, libera uma substância cancerígena”, advertiu. Ainda de acordo com a médica, as doenças cardiovasculares são as que mais matam. “De um grupo de 50 pessoas, 25 delas morrerão de enfarto ou derrame cerebral”, afirmou a especialista, ressaltando que, atualmente, as pessoas estão consumindo 400 vezes mais refrigerante, 400 vezes mais biscoitos, 300 vezes mais embutidos, 50 vezes mais carne e 35 vezes mais leite do que se consumia na década de 70. Não vendemos a nossa saúde, vendemos nossa força de trabalho A presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, Ana Roeder reforçou que são a omissão do patrão, a negligência e a ganância os principais responsáveis pelos acidentes e doenças no trabalho. Amparada em dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos) ela informou que em 2014 foram registrados nada menos que 557 mil afastamentos por acidente de trabalho, o que representa um crescimento de 24% nos últimos 10 anos. Os acidentes de trajeto, de acordo com a pesquisa do Dieese, foram os que mais aumentaram devido ao grande número de acidentes de trânsito envolvendo motociclistas, especialmente. A sindicalista enfatiza ainda a necessidade do preenchimento da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), um documento essencial para comprovar a responsabilidade da empresa e disse ainda que nenhum patrão aceita que se coloque nas convenções coletivas cláusulas referentes à saúde e segurança do trabalhador no ambiente de trabalho. Na avaliação da sindicalista, é fundamental a prevenção e a solidariedade dos colegas. Estamos vivendo uma epidemia A diretora de formação do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, Hanen Sarkis Kannan se diz uma pessoa pessimista quando fala em doenças e acidentes de trabalho. Segundo ela, as CIPAs (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) só existem porque é uma exigência legal e que os patrões não se incomodam com a saúde dos trabalhadores. “Somos tratados como máquinas, ou melhor, as máquinas são mais importantes que nós. É em função das máquinas que se coloca ar condicionado nas fábricas, por exemplo”, desabafa. Ainda de acordo com Hanen, estamos vivendo uma verdadeira epidemia no que se refere à doenças e acidentes de trabalho. Ela afirma que nem o uso dos EPIs resolve o problema. Na avaliação da diretora de formação, os equipamentos apenas minimizam as conseqüências das exigências de produtividade. Atualmente, segundo ela, as principais doenças do trabalho no setor metal-mecânico são as intoxicações, dermatoses, perda auditiva, catarata ocupacional e ainda as doenças psicossomáticas, causadas pelas situações de risco, carga excessiva de trabalho, desvio de função e assédio moral e sexual. Hanen informou ainda que o tempo para um trabalhador adoecer no setor metal-mecânico é de três anos, e no setor frigorífico, apenas seis meses de trabalho bastam para deixar o trabalhador doente. Somos tratados como máquinas O metalúrgico Jorge Dezan Joaquim tem 50 anos de idade e há cinco está afastado por motivo de doença. Ele tem próteses nos dois lados do quadril e, segundo ele, a doença aconteceu devido ao tipo de função que exerceu durante muitos anos. De acordo com Jorge, todos os companheiros que exerciam a mesma função têm o mesmo problema, mas a empresa não admite que seja resultado do trabalho. “Eles querem produtividade. Quando a gente adoece, não serve mais. As empresas tratam a gente como máquina”, lamenta o trabalhador. A CIPA é fundamental O cipeiro da Weg Marcelo Lima, 41 anos, considera decisiva a atuação da CIPA no que se refere à prevenção de acidentes. “A gente faz reuniões, explica e cobra dos trabalhadores o uso dos equipamentos de segurança”, afirma Lima que trabalha há 10 anos na Weg no setor de segurança patrimonial. Para o diretor de Formação do Sindmet, Valdir de Oliveira, o Seminário foi muito importante para que os trabalhadores não venham a sofrer acidentes e doenças ocupacionais. “A tecnologia não diminuiu o número de acidentes, pelo contrário, está subindo o número e é assustador, por isso a categoria precisa estar ciente sobre seus direitos e deveres na questão de segurança no trabalho, questionar, cobrar melhorias no local de trabalho”.

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