Metalúrgicos da Região têm reajuste salarial de 10,20%

Salário Normativo passa para R$ 1.800,00, com 10,84% de reajuste
 
Os mais de 22 mil trabalhadores metalúrgicos de Jaraguá do Sul e Região recebem, até o quinto dia útil de fevereiro, reajuste salarial de 10,20% como resultado das negociações coletivas de trabalho. O percentual assegura ganho real de salário para toda a categoria, já que a variação da inflação no período ficou em 10,16%. A data-base é em 1º de janeiro e o acordo para o fechamento da Convenção Coletiva foi definido no dia 20, depois de quatro rodadas. O Salário Normativo (pago àqueles com mais de 90 dias de trabalho na empresa) obteve aumento real mais significativo, de 10,84%, passando de R$ 1.624,00 para R$ 1.800,00. Até os 90 dias de trabalho, a referência é a quarta faixa salarial do Piso Estadual, que ficou em R$ 1.621,00 para o ano de 2022. O auxílio creche mensal obteve reajuste de 10,26% e passou de R$ 263,00 para R$ 290,00.
 
“A gente fez uma pesquisa na nossa região e verificamos que esse salário normativo é um dos maiores”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e coordenador da comissão de negociação, Silvino Volz. “No momento, é um bom piso salarial, pago aos trabalhadores que adentram ao mercado de trabalho”. Silvino cita recente estudo publicado pelo Dieese “De olho nas negociações”, apontando que apenas 15,8% das convenções coletivas de trabalho assinadas durante o ano passado obtiveram aumentos reais de salário, outras 26,6% asseguraram o INPC integral, “não tiveram perda nem ganho”, e quase a metade (47,7%) ficaram abaixo da inflação dos 12 meses. “Nosso parâmetro é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), se está certo ou não, é a inflação oficial do governo”, lembra.
 
Silvino Volz faz questão de agradecer à diretoria do Sindicato, que acompanhou as negociações desde o princípio – “estávamos unidos e o resultado aconteceu”, disse –, aos trabalhadores que estiveram na Assembleia, “dando sustentação à campanha salarial”, e a todos os metalúrgicos que vêm fazendo referência positiva ao Acordo assinado com o sindicato patronal. “É normal que queiramos um pouco mais, mas fizemos o acordo possível”, reafirma Silvino, fazendo uma breve análise de conjuntura: “Está muito difícil, um ano de eleições gerais, com inflação alta, falta de insumos e um governo que não traz segurança econômica nem política. Temos um ministro da Economia, o Paulo Guedes, que acena cada vez mais para o capital e as grandes multinacionais, sem compromisso com a sociedade de forma geral”.
 
Covid-19
 
Diante do aumento expressivo de casos de contaminação pela Covid-19 entre os trabalhadores e o consequente aumento de pedidos de afastamentos, o Sindicato dos Metalúrgicos tem realizado reuniões com algumas empresas e sugerido mudanças nas trocas de turno, de modo que se observe o distanciamento entre os trabalhadores. “Pedimos que as empresas adotem uma jornada de trabalho diferente, para que na troca de turno os trabalhadores não se encontrem e haja uma disciplina maior”, explica o presidente do Sindicato, que critica a postura irresponsável do presidente da República, Jair Bolsonaro, em relação à saúde da população e à defesa da vida.

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